A menopausa e a perimenopausa são etapas cruciais na vida das mulheres, mas frequentemente negligenciadas tanto na formação médica quanto no cotidiano. A médica Heather Hirsch, autora do livro “Guia de sobrevivência da menopausa”, lançou luz sobre essa questão ao destacar a falta de informação disponível sobre essas transições hormonais. Em suas palavras, a educação sobre saúde feminina geralmente encerra-se com a gravidez, deixando um vazio que ela decidiu preencher ao se especializar no tema.
Com a certeza de que 100% das mulheres passarão pela menopausa, é alarmante que poucos profissionais de saúde considerem a perimenopausa ao atender mulheres em suas décadas de 30 e 40. Embora a menopausa tenha um critério diagnosticável – a ausência de menstruação por um ano –, a perimenopausa apresenta desafios distintos. Os exames de sangue podem falhar em capturar a complexidade das mudanças hormonais, levando muitas mulheres a duvidar de suas experiências e a atrasar o tratamento necessário.
“Vivemos 30% de nossas vidas na pós-menopausa”, afirma Hirsch, ressaltando a importância de como lidamos com as mudanças hormonais. O impacto dessas transições não se limita apenas a sintomas físicos, mas também afeta a saúde a longo prazo, incluindo sistemas gastrointestinal, cardiovascular e até a saúde mental.
No seu livro, Hirsch desmistifica várias crenças errôneas sobre a perimenopausa. Entre elas, a ideia de que apenas mulheres mais velhas enfrentam esses sintomas, a crença de que a terapia hormonal é sempre insegura e a noção de que problemas como insônia e falta de energia são meramente reflexos de má autocuidado. Ela destaca que o medo em relação à reposição hormonal é, em grande parte, resultado de um estudo de 2002 que continha falhas significativas, e que suas consequências continuam a reverberar entre pacientes e médicos.
Hirsch também convida as mulheres a identificarem seus sintomas, oferecendo uma lista abrangente que inclui desde alterações de humor até problemas de sono. Um aspecto surpreendente mencionado é a relação entre a queda dos níveis de estrogênio e sintomas como zumbido e vertigens, revelando mais uma faceta da complexidade hormonal que muitas mulheres desconhecem.
Outro ponto importante é a saúde sexual, que não é apenas uma questão de hormônios. Fatores emocionais, relacionais e contextuais desempenham papéis significativos na libido e na vida sexual feminina. A rotina estressante de cuidar de filhos e parentes, além da convivência prolongada com um parceiro, pode reduzir o desejo sexual. Para lidar com isso, Hirsch sugere uma série de abordagens que vão desde a autoexploração até a utilização de lubrificantes e estrogênio vaginal, além de um questionário que ajuda a avaliar a função sexual ao longo do tempo.
Em resumo, o trabalho de Heather Hirsch é um chamado à ação para que tanto mulheres quanto profissionais de saúde reconheçam e abordem as complexidades da menopausa e perimenopausa, promovendo um diálogo aberto e informativo sobre essas fases naturais da vida feminina.



