domingo, 08/11/2026

Reflexão sobre a responsabilidade das gerações mais velhas em relação aos jovens atuais.

No início deste mês, o The Guardian trouxe à tona um artigo de Gordon Brown, ex-primeiro-ministro britânico e atual enviado especial da ONU para a educação global. Em suas reflexões, Brown descreve o atual…

Compartilhe:

No início deste mês, o The Guardian trouxe à tona um artigo de Gordon Brown, ex-primeiro-ministro britânico e atual enviado especial da ONU para a educação global. Em suas reflexões, Brown descreve o atual cenário de protestos juvenis na Europa como um “terremoto juvenil”, enfatizando a necessidade de entender a revolta que une uma geração em busca de mudanças. As manifestações, que começaram em Paris, se alastraram para cidades como Roma, e já se fazem sentir em nações como Bélgica, Áustria e Grécia, com pautas que vão desde o financiamento da educação até o acessível mercado imobiliário.

Na Sérvia, por exemplo, a Lista Estudantil conseguiu não apenas contestar um governo corrupto, mas também garantir uma representação no parlamento. Enquanto isso, na Austrália, os estudantes se mobilizam para uma grande manifestação em 12 de novembro. A situação na Europa revela uma frustração generalizada, com os jovens se levantando contra questões que vão além da educação, como a crise do emprego exacerbada pela inteligência artificial e a falta de investimento em suas necessidades.

Brown alerta que a crise do emprego juvenil tende a se agravar, pois os governos enfrentam limitações fiscais que priorizam os gastos com as gerações mais velhas. Essa dinâmica resulta em cortes que afetam diretamente a educação e as oportunidades para os jovens. A desilusão é palpável: muitos acreditam que as promessas de um futuro melhor que seus pais desfrutaram não se concretizarão.

No entanto, a responsabilidade não recai unicamente sobre os ombros dos baby boomers, que nasceram entre 1946 e 1964 e se beneficiaram de um sistema de proteção social desenvolvido após a Segunda Guerra Mundial. A jornalista MP Dunleavey, em sua coluna na revista do Centro de Longevidade de Stanford, defende uma abordagem mais construtiva, sugerindo a criação de um novo contrato social que busque reduzir as desigualdades patrimoniais entre as gerações.

Dunleavey destaca que a pressão financeira gerada pelo aumento da expectativa de vida impacta tanto os mais velhos quanto os mais jovens. Enquanto os idosos temem não conseguir arcar com os custos de uma vida longa, os jovens lutam para alcançar a estabilidade financeira. Nos EUA, por exemplo, os baby boomers possuem cerca de 51% do patrimônio familiar, em contraste com apenas 11% dos Millennials, que enfrentam um futuro incerto.

James Chappel, professor de história na Universidade Duke, propõe uma revisão das normas sobre envelhecimento e patrimônio. Para ele, a visão atual, que exige que os indivíduos se sustentem sozinhos após os 65 anos, não se adapta mais à realidade de uma população que vive até os 80 e 90 anos. Chappel sugere a necessidade de um novo pacto social que promova a solidariedade intergeracional, oferecendo suporte tanto aos idosos quanto aos mais jovens. Embora essa proposta possa parecer utópica, ela representa uma possibilidade de construção de um futuro mais equilibrado e justo para todos.